segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Leonâncias..

Propulsão :
Sistema rigidamente reorganizado, reinventado.
É o gosto pela mudança de não ser.
Eu sou homem, cheio de mim e vazio de você...
Se quiser encher, vem.  Existe um gatilho em mim.
É secreto. Procure, ache... ou então “next”.
Patético, ético, poético.
Não sou, não quero, devo e cobro.
Eu sou, eu quero.
À espreita de mim: eu.
Sei lá que eu, sei lá qual eu.
Nem quando, nem onde, sem por quês.
Não preciso de respostas.
Importa?
Eu exporto.
É o gosto pela mudança de não ser.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

. alguma coisa sobre Solidão

Abri os olhos. E aí? Relógio da sala mostrando os segundos, chuva que cai mansa lá fora, o barulho do aquário (sem peixe, o último morreu e percebendo minha incapacidade de cuidar de um ser tão pequeno, resolvi fazer o aquário de fonte), e eu.
Eu e meus olhos, e minha pele, e meus ouvidos, e minha respiração. Eu comigo mesmo. Então me veio o vazio de estar só. São sete bilhões de pessoas no mundo... como poderia eu estar só, no vazio do meu quarto, ouvindo um relógio e olhando um aquário sem peixe?
Na carteira, uns trocados... foi quando lembrei que quando eu era adolescente, resolvi ser escritor e eu achava que eu ia ser phoda, é PHoda mesmo, com pêagá. Afinal, as palavras vinham até mim como mágica, e eu não tinha medo de me aventurar. Eu achava que todo mundo ia gostar do que lesse que eu ia vender milhões de exemplares de livros, e que iam ligar aqui em casa pedindo pra escrever sobre isso ou aquilo. Bosta nenhuma. Alice cresceu e acordou do sonho!
Primeiro aquela vontade imensa de colocar o rabo entre as pernas e pedir o colo da mamãe. E fui! Só que ela não me deu colo. Daí que eu me senti o menor cara do mundo: nem minha mãe queria me dar moral! Será que eu podia ser tão insignificante assim no planeta Mundo que nem a criatura que me gerou podia me dar cinco minutos de fama? Perguntando o motivo pelo qual ela não queria me dar o colo tão desejado, ouvi a dura resposta: Por que se eu te der colo agora, você vai continuar sendo insignificante. Nessa hora eu senti o que era ser Maísa: Meu Mundo Caiu. Ou o que sobrava dele.
Tirei o rabo das pernas e voltei pra casa com aquela informação. Tinha que digerir aquilo. O que é continuar sendo insignificante? Comprei uma cerveja, sentei na minha cama, vi fotos antigas, lembrava da infância, dos amigos que já se foram e também dos que estão aqui até hoje mas parece que se foram junto com os outros, lembrava da escola, da garota que eu fui apaixonado desde a quarta série até o terceiro colegial (e ela não sabe até hoje, porque eu sou um bosta!hahaha). Lembranças da minha primeira transa em que meu coração batia tão forte que dava pra menina ter certeza que ERA a primeira vez. Acho que por isso ela sumiu no dia seguinte... e eu achava que ela ia ser meu último amor. Depois dela já tive tantos últimos amores...
Chorei tanto na minha cama que quando o olho resolveu secar, e eu percebi que meu lençol tava encharcado de choro, ainda pensei “porra, agora além de fracassado e insignificante virei viado!”. Foi aí que um fenômeno completamente estranho tomou forma e saiu pela minha boca: eu gargalhei até quase me mijar nas calças.
Acho que foi mesmo uma resposta de Deus. Um riso involuntário que me fez acordar pra vida. Aí eu volto lá no começo do texto quando eu tava falando que abri o olho e fiquei ouvindo o tic tac do relógio, e o aquário sem peixe. Não tinha peixe porque percebi que antes de cuidar do peixe, tenho que cuidar de mim. Não tenho um puto no bolso mas tô feliz de poder fazer o que eu amo. O telefone aqui de casa não toca, mas ontem voltando pra casa uma adolescente me parou dizendo que me tem como livro de cabeceira.
Descobri que quando a gente acha que tá na merda, que a vida é um lixo, que nada vai se resolver, que to sem amor, sem amigos, sem grana, e na chuva sem guarda-chuva com all star furado, é aí que a gente percebe que precisamos crescer. Urgentemente. Crescer é se entender, se aceitar, e principalmente aproveitar a merda pra fazer adubo. Temos todos nosso pedaço de significância no Mundo.
Mas principalmente, hoje descobri que phoda, PHoda com pêagá mesmo, é minha mãe.

Incompreensão

É que o mundo engole a gente...morde, mastiga e engole.
Depois a gente vira mistura de tudo, e a gente sofre com tudo. E a gente erra, berra.
Ou acha que erra, ou pensa que berra.
É tanta informação, tanta ordem, lei, mandamento...a gente fica cego num instante.
Um instante que pode durar três segundos ou a vida inteira.
Ensinam pra gente que homens não choram... porque fraqueza é um dos piores sentimentos que um homem pode demonstrar, já que o mundo tá tão concorrido, e alguém certamente vai passar por cima de você.
Homens choram! Eu choro. O choro purifica, lava, leva embora ou ao menos alivia. O choro é o início de um basta que necessitamos propor,  pra poder recomeçar. Portanto homens: chorem! Chorem com força!
Ensinam pra gente que mulheres têm que ser doces e sensíveis, quase que tangendo ao frágil já que são criaturas belas e divinas. Com o tempo a gente percebe que são elas a fonte e a força motriz da família, de algumas, e principalmente da própria vida.
O ser humano não é sozinho.  Mas até isso ensinam pra gente. Ensinam pra gente que a gente é sozinho e que precisamos ser egoístas e pensar na gente, senão NINGUÉM pensa.
Será ?
A gente descobre que não é sozinho.
A gente percebe que ser fraco é ser forte.
E entende que se não doar um pouco de si pro mundo a gente enlouquece, entra na bolha.
O mundo acontece lá fora. Eu aconteço em mim.
Queria eu acontecer no mundo.
Queria eu...